7 anos de Boa de Copo: um brinde às mulheres e ao mundo do vinho que transformamos juntas
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7 anos de Boa de Copo: um brinde às mulheres e ao mundo do vinho que transformamos juntas

Nossa colunista Elaine de Oliveira celebra sete anos de 'Boa de Copo' na Marie Claire fazendo um balanço sobre a presença das mulheres no universo enológico, tanto como consumidoras, quanto como produtoras e influenciadoras

Sete anos atrás, quando a coluna Boa de Copo nasceu, o mundo do vinho parecia um lugar um pouco mais engessado. As taças, muitas vezes, eram preenchidas com um quê de elitismo e as conversas ao redor delas raramente escapavam dos jargões técnicos enochatos, intimidadoras para quem ainda dava os primeiros goles no universo do vinho. Mas havia algo ainda mais gritante: a voz feminina continuava sendo minoria – ainda é nos dias de hoje, mas isso vem mudando.

O vinho, por séculos, foi contado e vendido sob uma perspectiva majoritariamente masculina. Porém, nesses últimos anos, um movimento sutil, mas poderoso, começou a se desenrolar – e eu tive o privilégio de testemunhar isso de camarote. O vinho ganhou perfume de mudança, e as mulheres, como sempre, chegaram trazendo frescor, leveza, autenticidade, capacidade, dedicação e muito, mas muito talento!

Se há algo que mudou profundamente nesse tempo foi a forma como nós, mulheres, nos apropriamos do espaço que também é nosso por direito. Lembro-me de entrevistas com enólogas que antes pouco apareciam e hoje são reverenciadas por seus vinhos e histórias.

Nas adegas e cartas de vinhos, o diálogo também mudou. Termos técnicos cederam lugar a descrições mais emocionais e acessíveis. Afinal, não importa se o vinho foi fermentado em barris de carvalho ou em ânforas milenares, importa como ele nos faz sentir. O universo do vinho começou a abraçar uma linguagem que conversa com a vida e com o nosso cotidiano, sem medo de soar descomplicado.

Outro marco desses sete anos foi a democratização do vinho. A ideia de que só é bom se for caro, raro ou famoso, foi derrubada por um público sedento por experiências reais. Vimos a ascensão dos vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos – e não só pela questão da sustentabilidade, mas também porque eles contam histórias genuínas.

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Esses sete anos também foram um divisor de águas para o paladar do brasileiro. Acompanhei de perto como foi diminuindo o consumo de tintos sisudos e repletos de madeira, e aumentando o de brancos e rosés frescos, vinhos laranjas alegres, que antes pouco apareciam, e tintos mais elegantes – opções que combinam muito com o nosso clima tropical e com a nossa culinária vibrante.

E como não celebrar o protagonismo do espumante nacional? Além de conquistar prêmios internacionais, ele se tornou parte do cotidiano do consumidor brasileiro, que finalmente percebeu que espumante não é só para brindar no Réveillon, mas para acompanhar o ano inteiro. Espumante é a cara do Brasil: fresco e festivo, perfeito para o nosso calor e nosso jeito descontraído.

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A pandemia trouxe muitas mudanças e uma delas foi o aumento expressivo do consumo de vinhos. Com o tempo em casa, muita gente trocou o barzinho pelo sofá e começou a explorar o mundo do vinho como nunca antes. Jovens que antes não se interessavam pela bebida começaram a abrir garrafas, a experimentar estilos diferentes e, surpreendentemente, a se aprofundar e estudar sobre o assunto. Foi fascinante ver uma nova geração descobrir o prazer de uma boa taça, não apenas como uma bebida, mas como uma experiência sensorial e cultural.

As redes sociais também abriram caminho para criadoras de conteúdo incríveis, que desmistificam o vinho com humor e paixão. Hoje, é comum ver uma mulher falando sobre harmonizar vinho seja com pizza ou alta gastronomia de forma descontraída, e isso só fortalece o nosso lugar à mesa – com taça na mão.

Esses anos me ensinaram que o vinho vai muito além de sua composição química. Ele é uma bebida de dia a dia, de encontros, de celebrações e, acima de tudo, de histórias. E cada vez mais as histórias são nossas: mulheres que se unem para celebrar, criar, empreender, e mudar um universo que, agora, nos acolhe com mais naturalidade.

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Ainda há um caminho a ser percorrido – nem tudo são flores no mundo do vinho. As estatísticas mostram que a equidade de gênero no setor ainda é um desafio, mas há esperança. A cada mulher que adentra uma sala de degustação ou ergue uma taça com segurança, estamos construindo um legado.

Hoje, olho para minha trajetória com gratidão e orgulho. Ser uma referência no mundo do vinho, especialmente para outras mulheres, é mais do que uma conquista profissional, é uma missão de vida. Ver tantas mulheres se aproximando desse universo, aprendendo a escolher, a degustar e a amar o vinho, me faz acreditar que estamos realmente transformando essa história. E é essa inclusão, esse convite aberto para que todas façam parte do universo do vinho, que me move. Que venham muitos anos pela frente – com mais mulheres brindando, ensinando e transformando!

Elaine de Oliveira propõe um brinde aos sete anos de 'Boa de Copo' na Marie Claire — Foto: Divulgação
Elaine de Oliveira propõe um brinde aos sete anos de 'Boa de Copo' na Marie Claire — Foto: Divulgação
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Sobre Elaine de Oliveira

Especialista em vinho e viagem, apaixonado por compartilhar experiências gastronômicas e destinos únicos ao redor do mundo.

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